Por Fernando Adas
Sim! Tenho conseguido chegar em casa antes da novela das sete e comecei o ano ouvindo Gilberto Gil na música de abertura. Anos atrás, Marisa Monte havia nos brindado com essa pérola de reflexão sobre os tempos modernos, que nos leva a pensar em alguns momentos de nossa vida corporativa.
As empresas andam com seus cérebros eletrônicos “a mil por hora”. Executivos fazem tudo, quase tudo. Elaboram, planejam, cruzam dados, emitem planilhas, mas muitas vezes ficam mudos. Que osbriefings estão mais econômicos e monossilábicos todos já sabem. Que as empresas estão ansiosas por prazos e com foco excessivo no operacional também deixou de ser novidade. O que me surpreende nessa cadeia produtiva é esse ruído entre o comandar, o desmandar e o mandar, cujo resultado final não anda.
Sofremos muito com essa palidez de informações por parte das empresas contratantes. Só elas podem pensar se Deus existe, só elas podem chorar, esforçar-se e obter informações capazes de gerar boas campanhas. É lógico que os fornecedores, com seus botões de “carne e osso”, ajudam na interlocução, no “falo e ouço” mais objetivo e capaz de produzir um diagnóstico e um plano de ação. Para tanto, o bom roteiro de briefing se torna fundamental e assegura boas ideias capazes de envolver toda a equipe, do atendimento ao criativo, da produção ao consumidor.
Toda vez que somos chamados a uma reunião de projetos, tentamos perguntar mais que responder. É uma postura de resistência que insistimos em manter para que possamos decidir se a campanha terá vida ou morte. E porque somos “vivos pra cachorro”, sabemos que campanha alguma mal planejada foge do caminho inevitável para a morte.
Nós acreditamos nos clientes. Acreditamos em seus cérebros que, mesmo eletrônicos, são temperados por emoções que os aquecem. Não cremos no impulso primitivo para a morte e entendemos que toda campanha tem seu começo, meio e fim. E que um bom fim é fruto de um bom começo. Por isso, mesmo conscientes dos botões de ferro e dos olhos de vidro que o mercado nos impõe, prosseguimos animados, dançando conforme a música e crentes que a persistência, a paciência e a informação também são impulsos capazes de dar vida aos projetos.
Fonte:
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obs: Comentários dos leitores não refletem as opiniões do blog